
O Presidente Governa o País. Mas Quem Governa Suas Escolhas?
25 de outubro de 2026 · Administrador
“Porque cada um de nós é responsável pela própria conduta.” — Gálatas 6:5 (NVT)
Em tempos de eleições, os debates se intensificam, as opiniões se dividem e as expectativas se renovam. Para muitos, a esperança de uma vida melhor parece estar diretamente ligada ao resultado das urnas.
É inegável que as decisões de um presidente podem influenciar profundamente a vida da população. A economia, a educação, a saúde, a segurança e as oportunidades de trabalho são diretamente afetadas pela maneira como um país é governado.
Entretanto, existe uma verdade que não podemos ignorar: o presidente foi eleito para governar o país, não para viver a nossa vida.
E compreender essa diferença pode transformar nossa maneira de enfrentar as dificuldades.
A responsabilidade que não podemos transferir
Vivemos em uma sociedade na qual é cada vez mais comum atribuir aos outros a responsabilidade por tudo o que não acontece como gostaríamos.
Se a vida financeira está desorganizada, a culpa é do governo. Se os objetivos não são alcançados, a culpa é da falta de oportunidades. Se os relacionamentos fracassam, a responsabilidade é sempre de outra pessoa.
É evidente que existem injustiças, desigualdades e circunstâncias que fogem ao nosso controle. Nem toda dificuldade é resultado de uma escolha equivocada, assim como nem todo fracasso decorre da falta de esforço.
Contudo, reconhecer essas realidades não deve nos impedir de fazer uma pergunta fundamental:
O que, dentro das minhas possibilidades, eu preciso mudar?
A Bíblia nos ensina, em Gálatas 6:5, que cada pessoa é responsável pela própria conduta.
Isso significa que não podemos transferir permanentemente aos outros a responsabilidade por nossas decisões, atitudes e compromissos.
O governo deve oferecer condições adequadas para a educação, mas não pode estudar em nosso lugar.
Pode promover políticas de emprego e desenvolvimento, mas não pode substituir nossa dedicação e responsabilidade profissional.
Pode proteger os direitos das famílias, mas não pode assumir nosso compromisso diário de amar, cuidar, perdoar e educar.
Existem responsabilidades que pertencem ao Estado. Outras pertencem a cada um de nós.
Confundir essas duas dimensões pode nos conduzir à frustração e à passividade.
Neemias: quando a oração encontra a responsabilidade
A história de Neemias apresenta uma lição importante sobre esse assunto.
Ao receber a notícia de que os muros de Jerusalém estavam destruídos, Neemias ficou profundamente entristecido. Diante daquela realidade, ele poderia simplesmente lamentar a situação ou procurar culpados.
Mas sua reação foi diferente.
Primeiro, Neemias orou. Depois, planejou. Em seguida, buscou os recursos necessários e tomou uma atitude.
O rei Artaxerxes concedeu autorização e apoio para a reconstrução. Contudo, não foi o rei quem reconstruiu os muros.
Neemias mobilizou o povo e declarou:
“Venham, vamos reconstruir o muro de Jerusalém” (Neemias 2:17, NVT).
O poder público ofereceu condições, Deus sustentou a missão e o povo assumiu sua responsabilidade.
Essa história não elimina a importância das autoridades. Pelo contrário, demonstra que sua atuação pode ser fundamental. Mas também revela que oportunidades precisam ser acompanhadas de iniciativa, compromisso e disposição para agir.
Não basta reconhecer que os muros estão destruídos. É preciso assumir nossa parte na reconstrução.
Pare de procurar culpados e comece a assumir responsabilidades
Existe uma diferença entre reconhecer os fatores que dificultam nossa caminhada e transformar esses fatores em justificativas permanentes para a ausência de iniciativa.
É mais fácil reclamar das circunstâncias do que corrigir hábitos.
É mais confortável apontar os erros dos outros do que reconhecer as próprias falhas.
É mais simples esperar por mudanças externas do que enfrentar aquelas que precisam acontecer dentro de nós.
Mas o crescimento pessoal e espiritual exige maturidade.
Provérbios 14:23 nos ensina sobre o valor do trabalho diligente, em contraste com a conversa que não se transforma em ação.
Isso não significa que o esforço individual garanta prosperidade ou elimine todas as dificuldades. Significa que a diligência e a responsabilidade continuam sendo virtudes que devem orientar a vida cristã.
E assumir responsabilidades também não significa caminhar sozinho. Em Gálatas 6:2, o apóstolo Paulo nos ordena a ajudar uns aos outros a carregar seus fardos.
A fé cristã nos chama simultaneamente à responsabilidade individual e à solidariedade.
Nossa esperança não está nas urnas
Como cristãos, devemos participar conscientemente da vida pública, exercer nosso direito ao voto, respeitar opiniões diferentes, fiscalizar os governantes e exigir o cumprimento de suas responsabilidades.
Entretanto, precisamos ter cuidado para não transformar líderes políticos em depositários de uma esperança que somente Deus pode sustentar.
Presidentes passam. Governos mudam. Projetos políticos surgem e desaparecem.
Mas os princípios da Palavra de Deus permanecem.
Independentemente de quem vença uma eleição, nossas responsabilidades continuarão existindo.
Continuaremos sendo chamados a trabalhar com honestidade, cuidar de nossas famílias, administrar com sabedoria nossos recursos, servir ao próximo e viver de maneira digna do evangelho.
A vitória do candidato de nossa preferência não nos dispensa dessas responsabilidades. Da mesma maneira, a derrota dele não justifica abandonar nossos compromissos.
Não coloque em um homem a esperança que pertence a Deus. E não entregue a outro homem a responsabilidade que Deus confiou a você.
A mudança também começa em nós
O resultado de uma eleição pode influenciar os rumos de uma nação. Mas nossas escolhas diárias também influenciam os rumos de nossa vida, de nossa família e da comunidade em que vivemos.
Por isso, mais importante do que alimentar discussões intermináveis sobre quem deveria governar o país é examinar como temos conduzido aquilo que está sob nossa responsabilidade.
Temos administrado bem nosso tempo?
Temos cuidado dos nossos relacionamentos?
Temos sido honestos em nossas obrigações?
Temos aproveitado as oportunidades disponíveis?
Temos buscado a direção de Deus antes de tomar decisões?
Essas perguntas não substituem nossa responsabilidade como cidadãos, mas nos lembram de que a transformação de uma sociedade também exige pessoas dispostas a transformar suas próprias atitudes.
O presidente tem a responsabilidade de governar o país. Nós temos a responsabilidade de conduzir nossas escolhas diante de Deus.
Que, neste período eleitoral, nossa maior preocupação não seja apenas descobrir quem ocupará o poder, mas também reconhecer aquilo que precisamos corrigir em nossa caminhada.
Que saibamos cobrar dos governantes aquilo que lhes compete, sem negligenciar aquilo que compete a nós.
E que nossa oração seja:
“Senhor, dá sabedoria aos nossos governantes, justiça à nossa nação e coragem a cada um de nós para assumir as responsabilidades que colocaste em nossas mãos.”
Afinal, podemos não ter o controle sobre os rumos de uma eleição, mas continuamos responsáveis pela maneira como decidimos viver diante de Deus.
Pr. João Batista Pereira Souza Junior
